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quinta-feira, 22 de junho de 2017

ABAPIXUNA

                                                 












                                                      
                                                         Eu não sou daqui, marinheiro só, eu não tenho amor, marinheiro só, eu sou lá d´Angola, marinheiro só,  ou das terras d´Oió, marinheiro só. 
                                    Pegados na selva por inimigos,  vendidos a preço de banana a mercadores d´almas, cristãos ou não,  escondidos sob cristandades,  um povo, antes livre e altaneiro, se vê acorrentado e atiçado em porões de navios, homens, mulheres e crianças amontoados, sofrem fome, sede, o balanço do mar e o banzo. Subirá alguns deles, um dia,  à proa? Ou serão sempre bufões, Scaramuccias pronto a fazer gargalhar  a turba? Um palhaço de Mar Bonito assume a Corte. O imperador quer se distrair, suas concubinas também. 

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